Ciência em Luto: Um Estado que Renega o Saber
Nós, cidadãos, pesquisadores, professores, estudantes e defensores do conhecimento, vimos a público expressar nossa profunda indignação diante da aprovação do Projeto de Lei Complementar 9 pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Esta medida não representa apenas um ataque à ciência: ela simboliza o desmonte deliberado de um dos pilares mais sólidos da sociedade paulista — o saber.
Ao desqualificar profissionais altamente capacitados, precarizar carreiras científicas e ameaçar a autonomia de instituições como a FAPESP, os deputados estaduais optaram por trilhar o caminho da ignorância institucionalizada. Em vez de fortalecer a produção de conhecimento, escolheram enfraquecer a base que sustenta a inovação, a educação e o desenvolvimento social.
A ciência paulista, reconhecida internacionalmente por sua excelência, está sendo empurrada para a lata do lixo por uma ideologia negacionista que despreza evidências, desacredita especialistas e tenta silenciar vozes críticas. Essa postura não é apenas irresponsável — é perigosa. Ela cria um vácuo de saber, retrocede à lógica medieval e compromete o futuro de gerações inteiras.
Não aceitaremos calados.
Rejeitamos a ideia de que o conhecimento é descartável. Reafirmamos que a ciência salva vidas, transforma realidades e constrói pontes para o futuro. E exigimos que os representantes eleitos para servir ao povo respeitem o compromisso com a verdade, com a educação e com o progresso.
A história julgará com rigor aqueles que escolheram o obscurantismo. Que esta carta seja um marco de resistência — e um chamado à ação.
São Paulo não será cúmplice da ignorância.
Assinam esta carta, se quiserem, todos aqueles que acreditam que o saber é um direito, não um privilégio.


